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quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Guerra na Síria. Entenda a verdade que a mídia nacional e internacional não publicam

Síria, centro da guerra pelo gás


Da geopolítica do petróleo para a do gás


Por Imad Fawzi Shueibi
Imad Fawzi Shueibi:  geopolítico e filósofo. Presidente do centro de documentação e estudos estratégicos de Damasco - Síria.




 agressão midiática e militar contra  Síria está diretamente relacionada com a concorrência global pelos recursos energéticos, explica o Professor Imad Shuebi no magistral  artigo que apresentamos hoje.
Nesse exato momento em que assistindo ao colapso da zona do euro, e que uma grave crise econômica levou os Estados Unidos a acumular uma dívida superior a 14.940 bilhões de dólares; no  momento em que a influência americana declina em contraste com os países emergentes que conformam o Brics, se faz evidente que a  chave para o exito econômico e o predomínio político reside principalmente no controle da energia do século XXI:  o gás
A Síria tornou-se alvo  justamente por estar no meio do mais importante reservatório de gás do planeta. O petróleo foi a causa das guerras do século XX. Hoje estamos vivendo  o surgimento de uma nova era: a da guerras do gás.

Após a queda  da União Soviética, ficou claro para os russos que a corrida  armamentista  havia lhes prejudicado em demasia  , sobretudo no campo energético, onde  faltou a energia  necessária ao processo de modernização industrial do país. Os  Estados Unidos, por outro lado, tinham conseguido se desenvolver e impor, sem muitas dificuldades,  sua política internacional nesta área graças a sua presença por décadas nas áreas de petróleo. Os russos decidiram, em seguida,  posicionar-se nas  fontes de energia, tanto nas que produzem petróleo,  como nas empresas de produção de gás. Considerando que, devido à sua distribuição internacional, o setor de petróleo não oferecia boas perspectivas, Moscou apostou  pelo gás , por sua produção, seu transporte e sua comercialização em larga escala. Tudo começou em 1995, quando Vladimir Putin traçou a estratégia da Gazprom: partindo desde as áreas de produção de gás da Rússia até Azerbaidjão, Turcomenistão, Irã (para comercialização), até o Oriente Médio. A verdade é que os projetos North Stream e South Stream  demonstraram os esforços de Vladimir Putin e seu governo de situar  a Rússia na arena internacional  na área energética,  que já desempenha um papel importante na economia européia, que, durante as próximas décadas,  dependerá do gás como alternativa ao petróleo ou como complemento deste, quando deu prioridade ao gás, em detrimento do petróleo.
A partir desse contexto, era urgente para Washington implementar  seu próprio projeto:  Nabbuco , uma estratégia que concorria com a dos  russos e que jogava para desempenhar um papel decisivo na determinação da estratégia e política energética para os próximos 100 anos.

Fato é que o gás será a principal fonte de energia do século XXI, uma alternativa diante da redução das reservas mundiais de petróleo e, ao mesmo tempo, uma fonte de energia limpa.O controle das zonas gasíferos no mundo disputado entre as antigas potências e as emergentes é o elemento que dá origem a um conflito internacional com manifestações de caráter regional.

É evidente que a Rússia  aprendeu com as  lições do passado, pelo menos no que se refere aquilo que,  do ponto de vista da economia,   contribuiu para o  colapso da União Soviética , que foi, precisamente,  a falta de controle dos recursos de energia  indispensáveis para   o desenvolvimento da estrutura industrial.  A Rússia compreendeu  que o gás está destinado a ser a fonte de energia do próximo século.


A historia da “partida de xadrez” do gás

Vladimir Putin y Alexei Miller, presidente de Gazprom.
Um primeiro olhar para o mapa do gás revela que este recurso está localizado nas seguintes regiões, o mapa diz respeito tanto à situação dos depósitos como ao acesso as áreas de consumo:
1.  Rússia: Vyborg e Beregvya
2.  Anexo  a  Rússia: Turcomenistão
3.  Nos arredores mais ou menos imediatos da Rússia: Azerbaidjão e Irã
4.  Ex influência da Rússia: Geórgia
5.  Mediterrâneo Oriental: Síria e Líbano
6.  Catar e Egito.

Moscou trabalhou rapidamente sobre dois eixos: o primeiro foi a criação de um projeto sino-russo  de longo prazo, com bases no  crescimento econômico do Bloco de Shangai; o segundo foi garantir o controle das reservas de gás. Com este desenho,  foram  assentadas as bases dos projetos North Stream e South Stream que se confronta com o projeto americano Nabucco, projeto apoiado pela União Europeia, com vistas ao gás do mar Negro e do Azerbaidjão. Uma corrida estratégica para o controle  das reservas de gás se  estabeleceu  entre os dois projetos distintos.

Os Projetos da Rússia:

O projeto North Stream conecta diretamente a Rússia com a Alemanha através do mar Báltico, até Weinberg e Sassnitz, sem passar pela Bielorússia. O projeto South Stream começa na Rússia, atravessa o mar Negro até a Bulgária e se divide passando pela  Grécia e pelo Sul da Itália, por um lado, e pela Hungria e a Áustria, por outro lado.

O projeto dos Estados Unidos:

O projeto Nabucco  parte da Ásia Central e dos arredores do mar Negro, passando através da Turquia - onde situa-se a infra-estrutura de armazenamento - , e corta a Bulgária, passa pela Roménia, Hungria e chega até a Áustria, de onde é direcionado para a República Checa, Croácia, Eslovênia e Itália. Originalmente, deveria passar pela Grécia, idéia que foi abandonada devido à pressão da Turquia.
Por suposição, "Nabucco" deveria ser o concorrente para os projetos dos russos. Nabucco estava previsto para 2014, mas diversos problemas técnicos provocaram seu adiamento até 2017. A partir desse adiamento, o projeto Russo começou a ganhar  a batalha pelo gás, mas cada  parte trata  sempre de estender seu próprio projeto para novas áreas.
Isso tem haver, por um lado com o gás iraniano, que os Estados Unidos pretendia incorporar ao projeto Nabucco conectando-o ao ponto de armazenamento de Erzurum, na Turquia. E, também, com o gás vindo do Mediterrâneo Oriental, ou seja, Síria, Líbano e Israel.

Em julho de 2011, Iran firmou vários acordos para o transporte do seu gás através do Iraque e da Síria. Por conseguinte, Síria tornou-se o principal centro de armazenagem e de produção, vinculado, também,  com as reservas do Líbano. Se abre assim um espaço geográfico, estratégico e  energético completamente novo, que abarca Iran, Iraque, Síria e o Líbano.

Os obstáculos que  esse novo  projeto (Nabucco) enfrenta,  há mais de um ano, dão uma idéia do grau de intensidade na luta que o império está travando  pelo controle da Síria e do Líbano. Ao mesmo tempo, esclarece o papel da França, que considera o Mediterrâneo Oriental  sua própria zona de influência histórica, por conseguinte,  destinada a satisfazer os interesses franceses, logo, isso justifica precisamente, recuperar o terreno perdido desde II Guerra Mundial. Em outras palavras, a França pretende desempenhar um papel importante no mundo do gás, para isto já adquiriu um tipo de “seguro saúde”, com a  Líbia, agora,  pretende obter um «seguros de vida» que somente as riquezas da Síria e do Líbano podem proporcionar. Turquia, por seu lado, se sente excluída desta guerra do gás devido ao atraso do projeto Nabucco e porque não tem nada a ver com os projetos South e North Stream. O gás do Mediterrâneo Oriental parece lhe escapar inexoravelmente a medida que se afasta do projecto Nabucco.


O Eixo Moscou-Berlim

 Gerhard Schroeder e Alexei Miller. Em 30 de março de 2006, ex-chanceler alemão foi nomeado chefe da construção do North Stream.

Para realizar os dois projetos, Moscou criou a empresa Gazprom, em 1990. Alemanha, ansiosa por se livrar de uma vez por todas das consequências da Segunda Guerra Mundial , se preparou para se juntar aos dois projetos, tanto em termos de instalações e de revisão do gasoduto norte e as instalações de armazenamento do duto de South Stream em sua área de influência, principalmente na Áustria. 
A empresa Gazprom foi fundada com a colaboração de Hans-Joachim Gornig, um alemão conhecido em Moscou, ex-vice presidente da Companhia alemã de Petróleo e gás industrial que supervisionou a construção da rede de gasodutos RDA . Até outubro de 2011, o diretor da Gazprom foi Vladimir Kotenev, ex-embaixador da Rússia na Alemanha. 
Gazprom assinou diversas transações com empresas alemãs, em primeiro lugar com aquelas que cooperam com o projeto North Stream, como as gigantes  E.ON, do setor de energia, e  BASF, do setor da indústria química. No caso da E.ON, existem cláusulas que garantem tarifas preferenciais quando há alta dos preços. Isso significa uma espécie de subsídio “político” da Rússia às empresas de energia alemãs. 
Moscou aproveitou a liberalização dos mercados europeus do gás para forçá-los a desconectar as rede de distribuição das instalações de produção. Superados os confrontos antigos entre a Rússia e Berlim , abriu-se uma fase de cooperação econômica baseada em facilitar a enorme dívida que pesava sobre os ombros da Alemanha, de uma Europa excessivamente  endividada pelo domínio  americano. Se trata de uma Alemanha que considera que o espaço germânico (Alemanha, Áustria, República Checa e Suíça) está destinado a converter-se no centro da Europa, sem ter de suportar as conseqüências do envelhecimento de todo o continente, ou da queda de outra superpotência. 
As  iniciativas alemãs de Gazprom empresa conjunta (joint venture) da Wingas com Wintershall, uma subsidiária da BASF,  é a maior produtora de petróleo e gás da Alemanha e controla 18% do mercado de gás. Gazprom outorgou aos seus principais parceiros alemãs participação em seus ativos russos, nunca visto anteriormente. Assim, BASF e E.ON controlam cada uma  cerca de um quarto dos campos de gás de  Lujno-Rousskoie  que alimentarão em grande parte o circuito North Stream.  Não será coincidência se a equivalente alemã da Gazprom, chamado de "Gazprom a germânica" chegar a ser proprietária de 40% da empresa austríaca Austrian Centrex Co, especializada em armazenamento de gás e se destina a ampliar-se até Chipre. 
Esta expansão não é certamente do agrado da Turquia, país ansioso por sua  participação no projeto Nabucco . Participação que consistiria em  armazenar, comercializar e transportar um volume de gás que chegaria a 31.000 milhões de metros cúbicos de gás por ano, cifra que poderia crescer para 40.000 milhões ao ano, um projeto que faz com que  Ancara seja cada vez mais dependente das decisões Washington e da OTAN , sobretudo tendo em conta as várias recusas aos seus pedidos de adesão à União Européia. 

Os vínculos estratégicos determinados pelo  gás são cada vez mais decisivos na arena política : o lobby de Moscou junto ao Partido Social Democrata alemão, na  Renânia do Norte-Westfália, onde há uma  importante base industrial , centro do conglomerado alemão RWE,  fornecedor de eletricidade e onde se situa uma subsidiária da E.ON 
Hans-Joseph Fell, responsável pela política de energia dos Verdes, reconheceu a existência dessa influência. Segundo ele, as 4 empresas alemãs vinculadas à Rússia têm um papel importante na definição da política energética alemã. Estas empresas contam com a Comissão de Relações Econômicas da Europa Oriental, - isto é, com  empresas que mantêm contatos econômicos muito próximo com a Rússia e com os países do antigo bloco soviético -  Comisão que dispõe , por sua vez, de uma rede muito complexa  de influências sobre os ministros e a opinião pública. Na Alemanha,  a discrição é a regra no que diz respeito à crescente influência da Rússia, com base no princípio de que é altamente necessário melhorar a "segurança energética" na Europa.
É interessante notar que a Alemanha considera que a política da União Européia destinada a resolver a crise do euro pode prejudicar os investimentos Germano-Russos . Esta razão, entre outras, explica a relutância da Alemanha para o resgate do euro, moeda  muito sobrecarregada pelas dívidas da Europa, apesar do bloco germânico poder suportar essas dívidas. Além disso, sempre que os demais países  europeus se opõem à sua política com a Rússia, a Alemanha declara que os planos utópicos da Europa não são viáveis ​​e que , inclusive,  poderiam  levar a Rússia a vender  seu gás na Ásia, o que colocaria em risco a segurança energética da Europa. 

Este casamento por interesses entre os Germânicos e os russos  está enraizado no legado da Guerra Fria:  3 milhões de russos vivem atualmente na Alemanha, representando a maior comunidade estrangeira desse país,  depois da comunidade turca. Putin também era favorável  a utilização da rede de  responsáveis da RDA,  que favoreceu os interesses das empresas russas na Alemanha, sem mencionar o recrutamento de ex-agentes da Stassi, como diretores de pessoal e finanças  da Gazprom Germania, assim como o diretor financeiro do Consórcio North Stream, Warnig Matthias , quem, segundo o Wall Street Journal , ajudou  Putin recrutar espiões em Dresde, na época em que o próprio Putin era agente da KGB. É certo, no entanto, que o uso que a Rússia tem dado as suas  antigas relações não tem sido prejudicial para a Alemanha, uma vez que os interesses de ambas as partes têm sido beneficiados sem favoritismo para qualquer lado.

O projeto North Stream , a principal ligação entre a Rússia e a Alemanha, foi inaugurado recentemente com um condutor que custou 4,700 milhões de euros. Apesar deste condutor ligar a Rússia com a Alemanha, dado o reconhecimento dos europeus  do fato de este projeto garantir a segurança energética da Europa, França e Holanda foram forçados a declarar que era de fato um "projeto europeu" . É importante mencionar, nesse sentido que o Sr.. Lindner, diretor-executivo do Comitê Alemão das Relações Econômicas com os Países da Europa Oriental declarou, com toda a seriedade do mundo que se tratava  realmente  de "um projeto europeu e não de um projeto alemão e que [o projeto] não encerraria  a Alemanha em maior dependência da Rússia”. Esta declaração ressalta a inquietação provocada  pelo aumento da influência russa na Alemanha. A verdade é que o projeto North Stream é, pela sua estrutura, moscovita e não europeu. 
Os russos podem paralisar a sua vontade a distribuição de energia na Polônia e em vários países , isso sem falar que terão todas as condições  de vender o gás para a melhor oferta. No entanto, a Alemanha é de muita importância para a  estratégia da Rússia, como plataforma que necessita para  desenvolver sua estratégia continental, especialmente considerando que a Gazprom Germania participa de 25 projetos cruzados, em países como a Grã-Bretanha, Itália , Turquia, Hungria, entre outros. Isto nos leva a crer que a Gazprom está prestes a se tornar, em pouco tempo,  uma das maiores empresas do mundo, se não se tornar a mais importante.


Um novo mapa da Europa e, em seguida, um novo mapa do mundo

Os gasodutos North Stream, South Stream y Nabucco
Os dirigentes da Gazprom  não só desenvolveram seu projeto, como  também conseguiram conter o projeto Nabucco. Gazprom detém 30% do projeto envolvendo a construção de uma segunda linha condutora de gás para o leste, seguindo aproximadamente a mesma rota prevista do projeto Nabucco. Os próprios partidários dessa  segunda condutora confessam que se trata de  um projeto "político" destinado a proporcionar uma demonstração de força ao travar e até mesmo bloquear o projecto Nabucco. Moscou se esforçou , também, por comprar gás da Ásia central e no mar Cáspio para enterrar este projeto e ridicularizar Washington politicamente, economicamente e estrategicamente.
Gazprom está explorando instalações vinculadas ao gás na Áustria, ou seja, no entorno estratégico da Alemanha, além de alugar instalações na Grã-Bretanha e na França. São, no entanto, as importantes estruturas de armazenamento na Áustria, que serão usadas para redesenhar o mapa  energético de Europa, já que irão prover a Eslovênia, a Eslováquia, a Croácia, a Hungria, a Itália e a Alemanha. A essas instalações deve ser adicionado o centro de armazenamento que Gazprom está construindo em Katrina, com a cooperação da Alemanha,  capacitando desta forma a exportação de gás para os principais centros de consumo na Europa Ocidental.

A Gazprom criou  uma instalação comum de armazenamento com Sérvia para fornecer gás à Bósnia-Herzegovina e a própria Sérvia. Também em curso, a realização de estudos de viabilidade sobre métodos de armazenamento semelhantes na República Checa, Roménia, Bélgica, Grã-Bretanha, Eslováquia, Turquia, Grécia e, inclusive, na  França. 
A Gazprom reforça a posição de Moscou, provedor de 41% do gás consumido na Europa. Isto representa uma mudança substancial nas relações entre o Oriente e o Ocidente, a curto, médio e longo prazo. Também indica um declínio da influência estadunidense, representada pelos escudos antimísseis, e se verifica o  estabelecimento de uma nova organização internacional cujo pilar fundamental será a gás. Tudo isso explica a intensificação da luta pelo gás, desde a costa oriental do Mediterrâneo até o Oriente Médio.

Nabucco y Turquia em  dificuldades 

Carente de fontes de abastecimento e sem clientes identificados, Nabuccos segue em atraso


Era de supor que Nabucco transportaria gás até a  Áustria  através de 3 900 km do território turco e que estava projetado para fornecer anualmente, para os mercados europeus, 31 000 milhões de m3 de gás natural provenientes do Oriente Médio e da bacia do mar Cáspio. A difícil  situação da coalizão OTAN/EUA/França para eliminar os obstáculos aos seus interesses em matéria de abastecimento de gás no Oriente Médio, principalmente na Síria e no Líbano, reside na necessidade de assegurar a estabilidade e o consentimento do entorno quando se fala de infra-estruturas e investimentos que requerem a indústria do gás. A resposta Síria foi firmar contrato que autoriza a passagem do gás iraniano em seu território, passando através do Iraque. A batalha é, portanto, centrada em torno do gás sírio e libanês. Ele irá alimentar a Nabucco ou South Stream ??
O consórcio Nabucco é composto por várias empresas: a alemã REW, a austríaca OML, a turca  Botas, a búlgara Energy Holding Company e a romena Transgaz. Há 5 Anos,  os custos iniciais foram estimados em 11.200 milhões de dólares, mas até o ano 2017 poderia chegar a 21.400 milhões. Isso levanta inúmeras questões à sua viabilidade econômica já que Gazprom tem contratos com vários países que deveriam alimentar a Nabucco, que já não pode contar com os excedentes do Turcomenistão, sobretudo após as tentativas sem sucesso para capturar o gás iraniano. Esse último fator é um dos segredos que são desconhecidos sobre a batalha por Irã, país que ultrapassou  a linha vermelha em seu desafio aos Estados Unidos e Europa ao escolher o Iraque e a Síria como rotas para o trajeto de uma parte de seu gás.

Assim, a maior esperança de Nabucco é o abastecimento com o gás do Azerbaijão e o reserva de Shah Deniz, convertido em quase a única fonte de aprovisionamento de um projeto que parece ter fracassado sem ter começado. Isso é o que se segue, por um lado, da aceleração da assinatura de contratos que Moscou concluiu para a compra de fontes inicialmente destinadas a Nabucco e das dificuldades surgidas, por outro lado, ao  tratar de impor mudanças geopolíticas no Irã, Síria e Líbano. E tudo isto ocorre num momento em que a Turquia reclama sua participação no projeto Nabucco, quer seja mediante um contrato com o Azerbaijão para a compra de 6.000 milhões de m ³ de gás em 2017 ou através da anexação da Síria e do Líbano, com a esperança de impedir o trânsito do petróleo iraniano ou receber uma parte da riqueza gasífera do Líbano e da Síria. Parece que a possibilidade de  ter um lugar na nova ordem mundial exige prestar certa quantidade de serviços, que vão do apoio militar até servir de base ao dispositivo estratégico do escudo antimisseis.
Talvez a principal ameaça para o Nabucco seja a tentativa russa de faze-lo fracassar através da negociação de contratos mais vantajosos a favor da Gazprom para North Stream e South Stream, que invalidaria os esforços dos Estados Unidos e da Europa, diminuiria a influência de ambos e perturbaria a política energética dessas concorrentes no Irã e/ou no Mediterrâneo. Além disso, Gazprom poderia tornar-se um dos investidores ou operadores mais importantes das novas reservasde gás na Síria e no Líbano. Não por acaso, em 16 de agosto de 2011, o Ministro de Petróleo da Síria anunciou a descoberta de um poço de gás em Qara perto de Homs, cuja capacidade seria de 400 000 m ³ por dia (146 milhões de m ³ por ano), para não mencionar a importância do gás Mediterrâneo existente.
Os projetos North Stream e South Stream , por conseguinte, reduziu a influência política dos Estados Unidos, que agora parece ter ficado para trás. Os sintomas de hostilidade entre os Estados europeus e a Rússia foram atenuados, mas a Polônia e os Estados Unidos não parecem dispostos a renunciar. No final de outubro de 2011, estes dois países anunciaram a alteração de sua política de energia como conseqüência da descoberta de reservas européias de carvão que deveriam diminuir a dependência à Rússia e ao Médio Oriente. Parece  ser uma meta ambiciosa, mas só possível a longo prazo devido a inúmeras etapas previas  exigidas  para a comercialização já que se trata de um  tipo de carvão encontrados em rochas  sedimentares a milhares de metros abaixo da terra, que requer o uso de técnicas hidráulicas de fratura e alta pressão para liberar o gás e sem falar ou  considerar os riscos para o ambiente.

A participação da China


 Organização de Cooperação de Shangai, conformada por Russia, China, Kazajstán, Kirguistán, Tayikistán y Uzbekistán
A cooperação sino-russo no campo energético  é o motor da parceria estratégica entre os dois gigantes. De acordo com especialistas, constitue, inclusive,  "base" do duplo veto em defesa da  Síria no Conselho de Segurança.

Esta operação não  tem que ver unicamente com o abastecimento da China em condições preferenciais. China participa  diretamente com a distribuição de gás, através da aquisição de ativos  e de instalações, bem como em um projeto de controle conjunto das redes de distribuição. Paralelamente, Moscou mostra sua flexibilidade nos preços do gás, desde que tenha acesso ao ambicionado mercado interno chinês.Se tem garantido, portanto, que os peritos russos e chineses trabalhem juntos nos seguintes  campos: « Coordenação de estratégias energéticas, Previsão e prospecção, Desenvolvimento dos  mercados, Eficiência energética e Fontes alternativas de energia».

Outros interesses estratégicos comuns estão relacionados com os riscos que representa o projeto americano de 'escudo antimísseis'. Washington tem envolvido não apenas o Japão e Coréia do Sul, mas no início de setembro de 2011, convidou, também,  a Índia a aderir ao projeto. Isto traz como conseqüência que as preocupações de ambos os países se cruzam no momento que Washington trata de reativar sua estratégia na Ásia central ou em seja na Rota da Seda

Essa estratégia é a mesma que George Bush havia empreendido (o projeto da Grande Ásia Central) com vistas a contrariar, com a colaboração da Turquia,  a influência da Rússia e da China, resolver a situação no Afeganistão até 2014 e impor  a força militar da OTAN em toda região. O Uzbequistão já sinalizou que  poderia acomodar a OTAN, e Vladimir Putin tem avaliado  que o que poderia fazer fracassar as investidas do ocidente e impedir que os Estados Unidos prejudique a Rússia seria a expansão do espaço Russia-Kazajstán - Bielorrússia, em cooperação com Pequim.

O panorama dos mecanismos da atual luta internacional  dá  idéia do processo existente de formação de uma nova ordem internacional, com base na luta pela supremacia militar e cujo elemento central é a energia,  com o gás em primeiro lugar.


O gás de Síria
A «revolução siria» é uma encenação midiática que esconde a intervenção  militar ocidental para a conquista do gás.

Quando Israel empreendeu  a extração de petróleo e gás, a partir de 2009, ficou claro que a bacia do Mediterrânea  se havia somado ao jogo e que haveria duas possibilidades: Síria seria  alvo de um ataque ou toda a região viveria em paz, pois se supõe que o século XXI seja o século da energia limpa.

De acordo com o Washington Institute for Near East Policy (WINEP, Think-Tank do AIPAC), a bacia do Mediterrânea contém as maiores reservas de gás e é, precisamente,  na Síria onde se localizam as mais importantes. Este mesmo Instituto também emitiu a hipótese de que a batalha entre a Turquia e Chipre se  intensificará porque a Turquia não pode aceitar a perda do projecto Nabucco (apesar do contrato assinado com Moscou em Dezembro de 2011 para o transporte de grande parte do gás  de South Stream através da Turquia).

A revelação do segredo do gás sírio dá uma idéia da importância do que está realmente em jogo. Quem tenha o controle da Síria poderá controlar o Médio Oriente. E a partir da Síria, portão da Ásia, terá  em suas mãos a chave da Rússia e, também, da China, através da “Rota da Seda”, assim você poderá dominar o mundo neste século, já que é o século do gás.

É esta  a razão pela qual os signatários do acordo de Damasco, que permite que o gás iraniano passe pelo Iraque e chegue ao Mediterrâneo, criando um novo espaço geopolítico e cortando a linha vital do Projeto Nabucco, declararam na época que "A Síria é a chave da nova era".

sábado, 25 de maio de 2013

Jersey repassou R$ 4,5 milhões de Maluf para SP




 
Paulo Maluf (Foto: Agência Estado)A Corte da Ilha de Jersey repassou 1,45 milhão de libras (cerca de R$ 4,5 milhões) de empresas offshores ligadas à família do deputado Paulo Maluf (PP-SP) para os cofres do município de São Paulo. A liberação ocorreu nesta sexta feira, 24, para uma conta dos advogados da Prefeitura, em Londres. Na próxima terça feira (28) - segunda é feriado na capital inglesa - os advogados vão providenciar a transferência do valor diretamente para o Tesouro paulistano.

A quantia faz parte do montante global de US$ 28,3 milhões - cifra atualizada com juros e correções, além de multas - que a Corte de Jersey mandou as empresas Kildare e Durant, controladas pelos Maluf, devolverem até junho aos cofres públicos municipais. O dinheiro das offshores está bloqueado em uma instituição financeira e será todo transferido para São Paulo.
Maluf foi condenado em Jersey por "fraude em ampla escala" - segundo o Ministério Público paulista, quando exercia o cargo de prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996, Maluf desviou dinheiro de grandes obras viárias, como a Avenida Águas Espraiadas.
A Justiça de Jersey concluiu que Maluf sabia que o dinheiro depositado nas contas de fundos em nome das empresas era de origem fraudulenta e que ele e seu filho Flávio enriqueceram ilicitamente. Para a Justiça de Jersey, Maluf foi "o fraudador e também o arquiteto e principal beneficiário das estruturas que receberam e mantiveram os fundos".
Maluf sempre afirmou que nunca possuiu ativos no exterior. Ele nega ter desviado recursos públicos de obras em sua gestão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Preconceito com Cuba

Preconceito com Cuba
 Zeca Dirceu
O anúncio feito recentemente pela presidente Dilma sobre a possível vinda de 6 mil médicos estrangeiros para trabalhar em áreas absolutamente carentes desses profissionais foi recebido negativamente pelo Conselho Federal de Medicina.
O governo pretende tomar a medida diante de uma dura realidade: o Brasil tem hoje um déficit de 168.424 médicos, e o Ministério da Saúde quer alcançar a meta de 2,7 médicos por mil habitantes, a mesma proporção do Reino Unido, que, depois do Brasil, tem o maior sistema público de saúde orientado pela atenção básica do mundo.
Contamos atualmente com 1,8 médico para cada grupo de mil habitantes, número inferior a países como Argentina (3,2), Espanha e Portugal (4).
Um estudo realizado pelo Ipea apontou que 58,1% das pessoas destacam a falta de médicos como principal problema do SUS.
O mercado brasileiro oferece muitas possibilidades, o que faz com que os médicos optem por não trabalhar na atenção básica, e principalmente queiram permanecer nos grandes centros. Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste. Nos anos de 2009 e 2010, foram criadas 19.361 vagas de primeiro emprego para médicos, sendo que, no mesmo período, foram graduados 13 mil profissionais, o que nos leva a concluir que boa parte dos egressos já tem pelo menos dois empregos formais no primeiro ano de trabalho.
Fui prefeito de Cruzeiro do Oeste, no Paraná e conheço as dificuldades com a falta desses profissionais. As prefeituras oferecem salários muitas vezes fora da realidade dos municípios, e mesmo assim não conseguem preencher as vagas.
A estratégia mais urgente é que o Brasil se baseie em experiências de países que optaram pelo intercâmbio de profissionais estrangeiros como uma alternativa. Na Inglaterra, 40% dos profissionais foram atraídos de outros países. Os EUA contam com 25% de médicos estrangeiros, e o Canadá, com 22%. O Brasil estuda parcerias com diversos países, entre eles Portugal e Cuba.
Embora as entidades médicas tenham adotado uma postura defensiva e preconceituosa diante da possível vinda de médicos de Cuba para o Brasil, ao ponto de questionarem a qualidade dos profissionais cubanos, é importante que a sociedade esteja esclarecida a respeito do assunto: Cuba é reconhecida por grandes êxitos na medicina e tem 6,7 médicos por mil habitantes.
Segundo o “New England Journal of Medicine”, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.
Não é momento para reações corporativistas e preconceituosas.
(*)-Deputado federal (PT-PR) e vice-líder do partido na Câmara

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Primavera gelada em Paris. Cadê o aquecimento global ?

Paris registra noite de maio mais fria desde 1887


Parienses enfrentam frio e chuva em frente à Torre EiffelParis, 24 mai (EFE).- Os serviços meteorológicos franceses registraram esta madrugada uma temperatura mínima em Paris de 3,7 graus centígrados, o que transformou a noite passada na mais fria na capital francesa em um mês de maio desde 1887.
Nos últimos dez dias, as temperaturas máxima médias em Paris e no norte da França ficaram entre nove e dez graus centígrados.
A previsão da Météo France para Paris nos próximos dias prevê uma leve alta nas temperaturas, passando da mínima de quatro graus para seis amanhã, sete no domingo e oito na próxima segunda-feira.
A última estimativa da Météo France prevê dez graus de mínima no dia 1º de junho, a apenas três semanas de começar oficialmente o verão. EFE

terça-feira, 5 de março de 2013

Morre o Presidente Hugo Chávez aos 58 anos de idade



 Presidente venezuelano lutava contra um câncer na região pélvica desde meados de 2011.

O presidente venezuelano Hugo Chávez, de 58 anos, que lutava contra uma severa infecção respiratória após ter passado por uma delicada quarta cirurgia contra um câncer, não resistiu e morreu nesta terça-feira (5) em Caracas. A morte do polêmico e midiático líder lança uma nuvem de incertezas na política do país, já que Chávez não chegou a ser empossado para seu quarto mandato presidencial, que começou em janeiro deste ano. O país deverá convocar novas eleições em um mês.

Chávez esteve à frente do governo venezuelano por quase 14 anos, período em que reduziu as desigualdades sociais no país, com uma forte política assistencialista, baseada nas maiores reservas de petróleo do mundo.

Por outro lado, deixa um país com violência e inflação em alta, além de uma sociedade radicalmente dividida entre militantes apaixonados e opositores enfurecidos.

Hugo Rafael Chávez Frías nasceu em 28 de julho de 1954, no Estado interiorano de Barinas. O jovem ativista entrou para a carreira militar em 1971 e, em 1975, formou-se na Academia Militar da Venezuela como subtenente, especialista em comunicações, além de ter estudado ciências políticas na Universidade Simón Bolívar.

Em 1982, ele criou o Exército Bolivariano 200, que, em 1989, passou a se chamar MBR-200. Em 1990, chegou à patente de tenente-coronel.

O MBR-200 esteve à frente da tentativa de golpe de Estado realizada em 4 de fevereiro de 1992, na chamada Operação Zamora. O golpe não foi bem-sucedido e Chávez foi preso.
Mais de uma vez Chávez declarou em público que o período na cadeia foi fundamental para a formação do chamado movimento bolivariano.

Em 1994, o presidente da Venezuela à época, Rafael Caldera, concedeu perdão a Chávez, mas proibiu este e outros participantes do MBR-200 de voltarem ao Exército. Era uma tentativa de impedir que o grupo organizasse outro golpe.

Presidência
Chávez se engajou na vida política e saiu pela América Latina para angariar apoio político. Em 1997 fundou o partido Movimento 5ª República, a fim de disputar a eleição presidencial em 1998.

Ele assumiu o poder em 2 de fevereiro de 1999 para seu primeiro mandato, encerrando o chamado Pacto de Punto Fijo, em que dois partidos venezuelanos dominaram a cena local por cerca de 40 anos.
Logo ao assumir, Chávez levou ao Congresso a proposta de um referendo para uma reforma constitucional. Entre as principais alterações estavam o aumento do mandato de presidente de cinco para seis anos; a limitação a dois mandatos; e a mudança do sistema legislativo, de duas casas (Senado e Câmara dos Deputados) para uma única (a Assembleia Nacional). A nova carta magna destaca ainda mais poderes ao Estado, além de direitos a povos indígenas.

A elite do país — com destaque para empresários e acadêmicos — sentiu que o novo governo, a partir da nova Constituição, tirava dela o poder que exercia. Chávez foi acusado de tentar concentrar o poder. Apesar disso, Chávez é eleito novamente em 2000 para seu primeiro mandato, segundo o novo texto constitucional, com mandato de seis anos e apenas uma reeleição.

Reeleição
Nesse governo, as forças de oposição ganharam expressão, com o empresário Pedro Carmona à frente.

O governo começa a enfrentar uma série de greves, em especial do setor petrolífero, nas mãos de empresas privadas.

Em 2002, o governo de Chávez sofre um golpe: entre 11 e 13 de abril, o líder foi tirado do poder e levado para uma ilha militar.

Enquanto Carmona assume a Presidência, uma revolta de militares conduz Chávez novamente ao poder no dia 14, restabelecendo a ordem democrática no país.

O golpe de 2002 foi um marco na história política da Venezuela, com enfrentamentos e mortes nas ruas, acirrando de vez os conflitos entre chavistas e opositores.

Chávez então passa a enfrentar greves pelo país, em um processo que culminou com um referendo em agosto de 2004 para definir a permanência, ou não, do presidente.

A vitória no referendo confere ainda mais poder ao presidente, que fica ainda mais popular e, em 2006, fatura a reeleição para mais um mandato de seis anos.

Chávez toma posse em janeiro de 2007, contando com uma Assembleia sem oposição, já que, um ano antes, os opositores haviam abandonado as eleições legislativas acusando o processo de fraudulento — o que não ficou provado.

Com um congresso sem resistência, Chávez consegue aprovar grande parte de seus projetos, além de controversas leis, como a Habilitante, que outorgava ao presidente o poder de governar por decreto.
Sua tentativa de mudar a Constituição da Venezuela no final de 2007 e permitir a reeleição indefinida não é aprovada em referendo popular. Mas o assunto voltou à pauta em 2008, sendo aprovado em novo referendo.

Política externa
Nos últimos anos, Chávez expulsou da Venezuela o embaixador de Israel, rompeu relações com os Estados Unidos, se alinhou ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e se aproximou da Coreia de Norte e da China. O presidente americano George W. Bush (2001-2008) incluiu o venezuelano no chamado "Eixo do Mal" — nome dado ao grupo de países que traziam risco à política externa norte-namericana.

Na América Latina, Chávez se tornou uma voz forte. Rafael Correa, no Equador, Evo Morales, na Bolívia, Cristina Kirchner, na Argentina, Daniel Ortega, na Nicarágua, além do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo e dos irmãos Castro em Cuba, se alinharam a suas posições ideológicas.
Durante o seu governo, a Venezuela passou por uma crise diplomática com a Colômbia por causa das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e os dois países quase entraram em guerra. Os militantes colombianos estariam se abrigando na Venezuela sob a tutela do governo, ato condenado pelos colombianos.

Hugo Chávez e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tiveram boas relações durante seus mandatos. Alguns meses depois de Dilma Rousseff tomar posse, Chávez veio ao Brasil e disse que queria ter com a presidente a mesma amizade que teve com Lula.

Doença

Depois de uma viagem ao Brasil em junho de 2011, Chávez foi ao Equador e a Cuba para uma visita oficial. No entanto, no dia 11 de junho daquele ano, o então ministro das Relações Exteriores e hoje vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que o líder venezuelano havia sido operado na véspera com urgência por causa de um abscesso pélvico, um acúmulo de secreção na parte inferior do abdômen.

Maduro leu um comunicado que foi transmitido pela emissora estatal VTV, no qual explicou que o presidente estava se recuperando.

A intervenção cirúrgica foi realizada em Havana e obteve "resultados satisfatórios para a saúde do comandante", que já se encontrava em processo de recuperação "em companhia de seus familiares, equipe médica e parte da equipe de governo".

O governo venezuelano confirmou que a doença era um cãncer, mas nunca detalhou a exata localização e gravidade do tumor.

Com isso, vários boatos surgiram desde que o líder começou o tratamento contra a doença.
Desde então, Chávez viajou diversas vezes a Cuba para realizar o tratamento. Em dezembro de 2011, o líder declarou que estava livre do câncer.

No entanto, em fevereiro de 2012, Chávez retorna a Cuba para duas novas cirurgias para retirada de lesões na mesma região do tumor.

No meio do ano passado e em meio ao processo eleitoral, o presidente venezuelano mais uma vez anuncia estar livre do câncer.

Mostrando o vigor habitual, Chávez sobe ao palanques para enfrentar o mais duro opositor até então, Henrique Capriles Radonski, governador do Estado de Miranda, o mais populoso do país.
Chávez vence as eleições em 7 de outubro para seu terceiro mandato de seis.

Mas, em 10 de dezembro, Chávez anuncia que terá de retornar a Cuba para uma quarta cirurgia na região pélvica. A gravidade é tamanha que o presidente indica o vice Nicolás Maduro como o sucessor de seu movimento bolivariano.

Após a complicada cirurgia, Chávez passou mais de dois meses se recuperando em Havana, e, em 18 de fevereiro, foi transferido para a Venezuela. O presidente não resistiu a uma nova e severa infecção e morreu em um hospital em Caracas.

sábado, 2 de março de 2013

PM investiga incêndios que ocorreram em SC nesta sexta-feira

Criminosos tentaram atear fogo a veículos nas regiões Norte e Oeste.
Em Criciúma, foi preso suspeito de articular atentados no Sul do estado.

A equipe de inteligência da Polícia Militar investiga casos de incêndio que ocorreram na noite desta sexta-feira (1) nas cidades de São Francisco do Sul e Chapecó. No Norte do estado, por volta das 21h30, a PM foi informada de que dois homens saíram do meio do mato na SC-415 e arremessaram uma garrafa de coquetel-molotov em direção a um ônibus que passava pelo local. Já na região Oeste, às 23h, um veículo foi parcialmente queimado após um adolescente jogar gasolina sobre o veículo.

Em São Franciso do Sul, os criminosos não conseguiram atingir o ônibus e, segundo a Polícia Militar, o fogo atingiu um terreno baldio sem causar danos materiais ou atingir alguém. Até as 9h40 deste sábado (2), os homens não haviam sido localizados.

 Na cidade de Chapecó, o fogo que atingiu o carro no bairro Santo Antônio foi contido por moradores da região. De acordo com a Polícia Militar, testemunhas afirmaram que o suspeito aparentava ser uma criança, que fugiu.

 Até as 9h40 deste sábado (2), a Polícia Militar não confirmava relação das ocorrências com os atentados que ocorreram em Santa Catarina no último mês. Segundo a corporação, desde 30 de janeiro, o estado registrou 113 atentados em 37 municípios.

Prisão 

 Ainda na tarde de sexta-feira (1), a Polícia Militar prendeu um suspeito de envolvimento nos últimos ataques. O homem, de 29 anos, foi abordado em uma rua do bairro Santa Augusta, em Criciúma, e a polícia constatou que ele tinha mandado de prisão em aberto. Segundo dados da Polícia Civil, o homem é suspeito de articular ataques ocorridos na região Sul do estado. Na residência dele, foram encontrados 20 gramas de crack. O homem foi conduzido a uma delegacia de polícia, onde foi lavrado flagrante.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Polícia busca provas que esclareçam morte de vereador eleito Lúcio do Nevada de Niterói

Buscas ocorrem nos bairros de Icaraí e Sapé.


Outras pessoas haviam sido presas, entre elas o suplente do político.

Policiais civis realizavam, na manhã desta quinta-feira (28), uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão de provas que esclareçam o assassinato do vereador eleito de Niterói Lúcio do Nevada em outubro do ano passado. Segundo o órgão, as ações são realizadas nos bairros de Icaraí e Sapé, no município da Região Metropolitana do Rio.

Os presos nas ações realizadas anteriormente, incluindo o vereador Carlos Alberto Macedo, que seria mandante do crime, tiveram a prisão preventiva prorrogada por mais 30 dias pela Justiça, conforme informou o delegado responsável, Paulo Guimarães.

Além do vereador, foram presos a chefe do gabinete de Carlos Macedo, que teria sido a contratante dos dois executores, que "terceirizaram" a morte do vereador a dois guardas municipais de Magé, também na Região Metropolitana, um deles Marco Antonio Titoneli, que está foragido.

Segundo o delegado, a motivação do crime foi a cobiça de Carlos Macedo pelo cargo de Lúcio da Nevada, já que Macedo era o suplente do vereador eleito, que tomaria posse em janeiro de 2013.

O veículo utilizado na execução foi a primeira pista na investigação. Com documentação irregular, o carro era utilizado para crimes de estelionato. A prisão desta quarta é temporária e os indiciados poderão ser julgados por homicídio qualificado.

Operações
Uma operação foi realizada no início do mês, que terminou com a prisão de Carlos Macedo e do policial militar Damião Washington da Silva Ferreira.

Outra ação para prender envolvidos no caso foi realizada no dia 29 de janeiro, quando os agentes prenderam três suspeitos do assassinato, entre elas, a chefe de gabinete do vereador Carlos Macedo, Mariana Soares Queiroz da Silva. Além dela foram presos o guarda municipal de Magé Renato de Souza Valente e Jair Martins de Souza Neto, do 12º BPM (Niterói). Ambos são suspeitos de terem disparado contra o político.

Na ação, os agente também prenderam José Carlos Alves Júnior, preso em flagrante no local onde policiais cumpriam mandados de busca e apreensão. Ele não estava envolvido diretamente no caso, mas estava com documento falso e arma.

Vereador foi morto após ser eleito
Lúcio do Nevada, do Partido Republicano Progressista (PRP), havia se candidatado sete vezes antes de ser eleito e foi assassinado na porta de casa no dia 25 de outubro. Ele foi atingido por ao menos quatro tiros, no bairro Santa Bárbara.

Segundo testemunhas, Lúcio estava a bordo de sua camionete, quando foi baleado. O para-brisa do veículo tinha seis marcas de tiro. Ainda de acordo com vizinhos do vereador, os disparos teriam sido feitos por ocupantes de um carro Fiat Palio.

Foto de foragido
A polícia ainda está atrás de Marco Antônio Titoneli Barbosa, um dos suspeitos de participar da morte do vereador Lúcio Nevada, na porta de sua residência, no bairro de Santa Bárbara. Ele é o único dos acusado que continua foragido. A Polícia Civil divulgou a foto de Marco Antônio.