quarta-feira, 12 de outubro de 2011

GUERRAS, INVASÕES, GOLPES E O DOMÍNIO MUNDIAL DOS EUA SOBRE SUAS COLÔNIAS.




          - Por Jeferson da Silva "Figueiredo" (escrito em 17 Abr 11)
   
  
         Acabo de ler o livro “ O Fantasma do Rei Leopoldo”  de Adam Hochschild ( Companhia das Letras, 1999 ).
      Para os telespectadores que estão calejados pela visão das terríveis imagens de guerra, violência e atrocidades cometidas em nome de uma ordem mundial, em nome de “Deus” ou em nome dos direitos humanos, deveriam dar uma lida neste livro que retrata  uma desmedida violência praticada por ordem do rei Leopoldo II da Bélgica, um caso ímpar de cupidez capitalista aliada a genocídio dentre os do imperialismo do final do século XIX, quando as potências européias na conferência de Berlim (1883-1885) partilharam entre si, no mapa, a áfrica.
         O livro relata minuciosamente os passos do processo de invasão,segregação, exploração e humilhação de uma nação livre e organizada, não sendo obra nem da natureza nem de deus, constituindo-se no paradigma da monstruosidade que foi a ocupação européia na África. O nazismo ali tinha muito a aprender.
         A história da humanidade está repleta de  exemplos de guerras e invasões, quase todos praticados em nome de uma causa que dissimula a verdadeira razão de sê-la.
          Não existem meias verdades quando se trata de guerra. O ser humano defende  e ocupa territórios desde a sua existência na terra.
       No combate que hoje se utiliza de armamentos com precisões cirúrgicas, outrora fora com pedras, pedaços de madeira, evoluindo com a descoberta de metais, a roda, a pólvora, a utilização de animais, o avião, as bombas atômicas que arrasaram Hiroshima e Nagasaki que em 6 e 9 de agosto de 1945 mataram mais de 220 mil pessoas, os mísseis, os aviões supersônicos que podem alcançar velocidades que superam em várias vezes a velocidade do som ( 340 m/s = 1224 km/h ),  e novamente, os aviões secretos  que não utilizam tripulação, até chegarmos ao  f-117, um  avião invisível ao radar, o mais indicado para cumprir missões de bombardeios estratégicos, dotados de bombas guiadas a laser, e que acertam alvos com uma precisão de erros de apenas poucos centímetros.
        Assistimos as duas grandes Guerras na Europa, com repercussões nas colônias, conflitos esses regulares, simétricos e político-econômicos. 
          As raízes do primeiro conflito encontram-se nas disputas imperialistas do século XIX. Militarmente a primeira guerra mundial (1914-1918) não teve solução, o armístico foi assinado sem que houvesse uma vitória real de um dos lados. A Revolução Russa ocorre neste período, bem como a crise de 1929 e o surgimento do Fascismo. Estes novos fatores somados a questões não resolvidas em 1918 levam à segunda grande guerra mundial ( 1939 - 1945 ).
     Entre 1945 e 1989/91 a Europa passou por uma "coexistência pacífica", onde as principais crises foram  o bloqueio de Berlim em 1948 e a intervenção da URSS na Tchecoslováquia e na Hungria. 

          Neste período na Ásia e África, ocorreram as guerras de independência ou descolonização, gerando conflitos de alta complexidade em que questões étnicas locais somam-se a fatores políticos e econômicos dentro de fronteiras artificiais traçadas por potências estrangeiras a partir do século XIX.
        Nas Américas surgem os conflitos político-ideológicos, guerrilhas de esquerda contra os governos apoiados pelos EUA, onde ditaduras militares ocorreram na maioria dos países, inclusive no Brasil, com cenas explícitas de covardia, tortura e milhares de mortos e desaparecidos.
           A partir de 1991 surge uma nova ordem mundial, com a pulverização dos conflitos pelo mundo, com a fragmentação da URSS e o fim da guerra fria, nacionalismos étnicos dentro da Rússia, no Cáucaso e na Ásia central, continuidade dos choques pós-descolonização, incluindo as questões étnicas, ondas de refugiados, aumento de choques culturais islã-ocidente, aumento da presença militar dos EUA no mundo e sua intervenção no oriente médio culminando com a fragmentação do Iraque e instabilidade regional ampliada, conflitos entre Estados e grupos autônomos ( Israel e Hizbollah, EUA e Talibã - Al Qaeda.

        O colapso Soviético gerou a desmobilização de diversos exércitos, mas também causou conflitos. Informática, armamento nuclear tático, mísseis e bombas “inteligentes” guiados por satélite, GPS ou laser, passaram a ser usados para reduzir o custo humano entre os exércitos de países ricos. A tendência para estes países é abandonar os grandes contingentes visando maior utilização das chamadas “tropas especiais” ou “tropas de elite”. Estas tropas atuam em números menores, amplamente amparadas pela tecnologia e são treinadas especialmente para missões em guerras irregulares. Para os países pobres continuam valendo os níveis técnicos inferiores. Não há uma regra, conflitos podem ser travados com facões, pedras  ou metralhadoras, mas raramente apresentam blindados, aviação e marinha. Tais elementos aparecem apenas em pequenas quantidades.
             Em números, a primeira guerra mundial matou 10 milhões de pessoas, a segunda guerra, mais 50 milhões, e durante  a guerra fria, outros 20 milhões.
            A quantidade de conflitos e o grande desenvolvimento dos meios de comunicação no século XX permitiram sensibilizar populações de diversos países sobre os problemas ocorridos principalmente durante a guerra fria e nos anos que a seguiram. Missões de paz tornaram-se cena comum, apesar dos diversos problemas enfrentados.
            Em seu Livro “Maldita Guerra, Francisco Doratioto, afirma que entre 1740 e 1974, o planeta teve 13 bilhões de habitantes e assistiu a 366 guerras de grandes dimensões, ao custo de 85 milhões de mortos. O resultado dessas guerras parece ter sido um prêmio à agressão, pois em dois terços delas o agressor saiu-se vencedor e, quanto à duração, 67% terminaram em prazo inferior a quatro anos”.
          Segundo Alberto da Silva Jones (professor d UFSC) os EUA ao longo da história realizou  invasões por todo o mundo de 1846 ao século xxi, provocando guerras quase todas irregulares e assimétricas :
         1890 – Argentina – tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos.
           1891 – Chile - fuzileiros navais esmagam forças rebeldes nacionalistas.
           1891 – Haiti - tropas americanas debelam a revolta de operários negros na ilha de navassa, reclamada pelos EUA.
            1893 – Hawai - marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o hawaí aos eua. (hoje o Hawaí é um estado dos EUA).
           1894 – Nicarágua - tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do caribe, durante um mês.
            1894 – 1895 – China - marinha, exército e fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.
           1894 – 1896 – Coréia - tropas permanecem em Seul durante a guerra.
            1895 – Panamá - tropas desembarcam no porto de corinto, província colombiana.
           1898 – 1900 – China - tropas dos estados unidos ocupam a china durante a rebelião boxer.
           1898 – 1910 – Filipinas - as Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos eua (massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, filipinas – 27/09/1901 e Bud bagsak, Sulu, filipinas 11/15/1913) – 600.000 filipinos mortos.
          1898 – 1902 – Cuba - tropas sitiaram cuba durante a guerra hispano-americana.
          1898 até hoje- porto rico – tropas sitiaram porto rico na guerra hispano-americana, hoje ‘estado livre associado’ dos estados unidos. (na prática, porto rico é mais um ‘estado’ dos eua).
           1898 – Ilha de Guam - marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.
           1898 – Espanha - guerra hispano-americana – desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado maine, em 15 de fevereiro, na baía de havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.
           1898 – Nicarágua - fuzileiros navais invadem o porto de San Juan Del Sur.
           1899 – Ilha de Samoa - tropas desembarcam e invadem a ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.
           1899 – Nicarágua - tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a nicarágua (2ª vez).
           1901 – 1914 – Panamá - marinha apóia a revolução quando o panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.
           1903 – Honduras - fuzileiros navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.
           1903 – 1904 – República Dominicana - tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.
           1904 – 1905 – Coréia - fuzileiros navais dos estados unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.
           1906 – 1909 – Cuba -tropas dos estados unidos invadem cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.
            1907 – Nicarágua - tropas americanas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua.
           1907 – Honduras - fuzileiros navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.
           1908 – Panamá - fuzileiros navais dos estados unidos invadem o panamá durante período de eleições.
            1910 – Nicarágua - fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na nicarágua.
           1911 – Honduras - tropas americanas enviadas para proteger interesses norte americanos durante a guerra civil  invadem Honduras.
           1911 – 1941 – China - forças do exército e marinha dos estados unidos invadem mais uma vez a china durante período de lutas internas repetidas.
           1912 – Cuba - tropas americanas invadem cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em havana.
            1912 – Panamá - fuzileiros navais americanos invadem novamente o panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.
           1912 – Honduras - tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.
           1912 – 1933 – Nicarágua - tropas dos estados unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.
            1913 – México - fuzileiros da marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.
           1913 – México - durante a revolução mexicana, os estados unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.
            1914 – 1918 – Primeira Guerra Mundial - os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.
            1914 – República Dominicana - fuzileiros navais da marinha dos estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em santo domingo.
            1914 – 1918 – México - marinha e exército dos estados unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.
            1915 – 1934 – Haiti - tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos.
          1916 – 1924 – República Dominicana - os EUA invadem e estabelecem um governo militar na república dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.
            1917 – 1933 – Cuba - tropas americanas desembarcam em cuba, e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos. (a partir deste período cassinos foram liberados e cuba se tornou um verdadeiro bordel dos EUA).
            1918 – 1922 – Rússia - marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução bolchevista. O exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.
            1918 – Iugoslávia - tropas dos estados unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.
            1919 – Honduras - fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.
          
             1920 – Guatemala - tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.
             1922 – Turquia - tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.
             1922 – 1927 – china - marinha e exército americano mais uma vez invadem a china durante revolta nacionalista.
             1924 – 1925 – Honduras - tropas dos estados unidos desembarcam e invadem honduras duas vezes durante eleição nacional.
             1925 – Panamá - tropas americanas invadem o panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.
             1927 – 1934 – China - mil fuzileiros americanos desembarcam na china durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.
             1932 – El Salvador - navios de guerra dos estados unidos são deslocados durante a revolução das forças do movimento de libertação nacional – FMLN – comandadas por Marti.
              1939 – 1945 – Segunda Guerra Mundial - os EUA declaram guerra ao japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o norte da áfrica, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Hiroshima e Nagasaki (causando aproximadamente 200 mil mortes e um número ainda maior de sobreviventes contaminados pela radiação nuclear).
             1946 – Irã - marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.
             1946 – Iugoslávia - presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos estados unidos abatido pelos soviéticos.
             1947 – 1949 – Grécia - operação de invasão de comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.
             1947 – Venezuela - em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rômulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.
             1948 – 1949 – China - fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.
             1950 – Porto Rico - comandos militares dos estados unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de porto rico, em Ponce.
             1951 – 1953 – Coréia - início do conflito entre a república democrática da coréia (norte) e república da coréia (sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os estados unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada nações unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na coréia do sul.
             1954 – Guatemala - comandos americanos, sob controle da Cia, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a reforma agrária.
              1956 – Egito - o presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no canal de Suez sustentados pela sexta frota dos eua. As forças egípcias obrigam a coalizão Franco-Israelense- britânica, a retirar-se do canal.
              1958 – Líbano - forças da marinha americana invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.
              1958 – Panamá - tropas dos estados unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.
              1961 – 1975 – Vietnã - aliado aos sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os estados unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do sul em 1975, dois anos depois da retirada dos estados unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas. (os EUA deixaram no Vietnã um rastro de mais de um milhão de mortos).
              1962 – Laos - militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.
              1964 – Panamá – militares americanos invadiram mais uma vez o panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.
               1965 – 1966 – República Dominicana - trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país são domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A Cia conduz Joaquin Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.
               1966 – 1967 – Guatemala -
boinas verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses econômicos do capital americano.
               1969 – 1975 – Camboja - militares americanos enviados depois que a guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja.
              1971 – 1975 – Laos - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.
               1975 – Camboja - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense mayaquez.
               1980 – Irã - na inauguração do estado islâmico formado pelo aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da revolução islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.
               1982 – 1984 – líbano - os estados unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel – e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da organização pela libertação da palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.
                1983 – 1984 – Ilha de Granada - após um bloqueio econômico de quatro anos a cia coordena esforços que resultam no assassinato do 1º ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os estados unidos invadiram a ilha caribenha de granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de cuba e da união soviética sobre a política da ilha.
               1983 – 1989 – Honduras - tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira invadem o Honduras.
               1986 – Bolívia - Exército Americano invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína.
               1989 – Ilhas Virgens - tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.
               1989 – Panamá - batizada de operação causa justa, a intervenção americana no panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os estados unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o canal do panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos estados unidos.
               1990 – Libéria - tropas americanas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil.
               1990 – 1991 – Iraque - após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os estados unidos com o apoio de seus aliados da OTAN, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-iraque (reunindo além dos países europeus membros da OTAN, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "operação tempestade no deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a guerra do golfo.
               1990 – 1991 – Arábia Saudita - tropas americanas destacadas para ocupar a arábia saudita que era base militar na guerra contra Iraque.
               1992 – 1994 – Somália - tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando delta e rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Adib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.
               1993 – Iraque - no início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente bush, em visita ao Kuwait.
               1994 – 1999 - Haiti – enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos estados unidos.
               1996 – 1997 – Zaire (ex República do Congo) - fuzileiros navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados hutus. 
               1997 – Libéria - tropas dos estados unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.
                1997 – Albânia - tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.
                2000 – Colômbia - marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").
                2001 – Afeganistão - os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o afeganistão onde estão até hoje.
                2003 – Iraque - sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "operação liberdade do Iraque" e por Saddam de "a última batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.
               Na América Latina, áfrica e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras por eles  criadas e montadas , tudo em nome da "democracia" (deles).
             Até quando não sabemos, mas é assim que hoje assistimos os combates e invasões sangrentas comandadas pelos EUA, destruindo países, dizimando populações,  e alimentando o ódio racial étnico e social nos países arrasados em nome de uma Democracia e em nome de Deus.
              Resolvi escrever este artigo, depois que li a matéria de Immanuel Wallerstein, intitulada  "A grande manobra diversionista na Líbia", a qual  reproduzo a seguir, na integra:          
              "O conflito líbio deste último mês, olhado em sua totalidade – a guerra civil na Líbia, a ação militar contra Kadafi liderada pelos EUA -, não tem a ver com questões humanitárias nem tampouco com o fornecimento mundial de petróleo na atualidade. O que de fato está acontecendo é uma grande manobra diversionista – uma distração deliberada – que tem como objetivo deixar na penumbra a principal batalha política que está ocorrendo no mundo árabe. Há algo em torno do que tanto Kadafi como os líderes ocidentais, independentemente de sues pontos de vista políticos, estão totalmente de acordo. Todos querem desacelerar, canalizar, cooptar, limitar a segunda onda revolucionária árabe e evitar que mudem as realidades políticas fundamentais do mundo árabe e seu papel atual no teatro geopolítico do sistema-mundo.
              Para ter isso claro, é preciso seguir a sequência cronológica dos acontecimentos. Ainda que os rumores políticos nos Estados árabes e as tentativas por parte de diversas forças externas de apoiar uns ou outros elementos dentro de certos Estados venham de longo tempo, o suicídio de Mohamed Bouazizi, no dia 17 de dezembro de 2010, marcou o início de um processo bem diferente.
Na minha opinião, este processo é a continuação do espírito da revolução mundial de 1968. Em 1968, do mesmo modo que vem ocorrendo no mundo árabe nestes últimos meses o grupo que teve o valor e a vontade para iniciar os protestos contra os poderes estabelecidos foi o dos jovens. Eles eram motivados por várias cosias: a arbitrariedade, a crueldade, a corrupção dos que estão no poder, sua empobrecida situação econômica e, sobretudo, a busca de seu direito moral e político de serem os atores principais de seu próprio destino cultural e político. Além disso, eles protestaram contra a estrutura geral do sistema-mundo e contra o modo pelo qual seus líderes tinham se curvado às pressões externas das grandes potências.
          Estes jovens não estavam organizados, ao menos no princípio. E nem sempre foram completamente conscientes de seu entorno político. Mas introduziram valor nele. E, como em 1968, suas ações tiveram um efeito contagiante. Em muito pouco tempo ameaçaram a ordem estabelecida de quase todos os países árabes independentemente de critérios de política externa. Quando mostraram sua força no Egito, ainda o principal país árabe, todo o mundo começou a levá-los a sério. Há duas maneiras de levar estas revoltas a sério: uma é unir-se a elas e tentar controlá-las desde dentro; a outra é tomar as medidas que sejam necessárias para sufocá-las. As duas coisas foram tentadas.
Três grupos se uniram aos protestos, como observa Samir Amin em sua análise sobre o Egito: a ressuscitada esquerda tradicional, os profissionais de classe média e os islamistas. A força e o caráter destes grupos variaram dependendo do país. Amin considera a esquerda e a classe média profissional (na medida em que são nacionalistas e não neoliberais transnacionais) como elementos positivos, e os islamistas, os últimos a subirem no trem, como elementos negativos. E depois ainda temos o exército, bastião permanente da ordem, que se uniu à revolta no último momento, precisamente para limitar seus efeitos.
Assim, quando iniciou o levante na Líbia, ele foi consequência direta do êxito das revoltas nos países vizinhos, Tunísia e Egito. Kadafi é um líder particularmente desapiedado e fez declarações terríveis sobre o que ia fazer com os “traidores”. Se desde cedo se ouviram vozes na França, Inglaterra e nos Estados Unidos defendendo uma intervenção militar, não era porque Kadafi fosse um anti-imperialista infiltrado. Ele vendeu o petróleo líbio para o Ocidente por um bom dinheiro e se jactava de ter ajudado a Itália a conter a maré da imigração ilegal. Além disso, possibilitou acordos lucrativos para as empresas ocidentais.
          No campo dos partidários da intervenção podiam se ver dois tipos de atitudes: aqueles para quem todas as intervenções militares do Ocidente são irresistíveis, e os que tratavam o assunto como um caso de intervenção humanitária. Houve uma forte oposição à intervenção por parte do exército estadunidense, que via a guerra na Líbia como algo impossível de ganhar além de trazer mais uma enorme tensão militar para os Estados Unidos. O último grupo parecia estar ganhando quando, de repente, a resolução da Liga Árabe mudou o equilíbrio de forças.
          Como isso aconteceu? O governo saudita moveu-se com determinação e eficácia para obter uma resolução favorável ao estabelecimento de uma zona de exclusão aérea. Com o fim de obter a unanimidade entre os estados árabes, os sauditas fizeram duas concessões. A intervenção se limitaria somente ao estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e, em uma segunda resolução, se acordou a oposição unânime à intervenção de forças terrestres ocidentais.
          O que levou os sauditas a propor tais resoluções. Alguém telefonou dos Estados Unidos para a Arábia Saudita e solicitou esse movimento? Creio que foi exatamente o contrário. Foram os sauditas que trataram de influenciar a posição estadunidense. E funcionou. A balança se inclinou.
          O que os sauditas queriam, e obtiveram, foi uma manobra magistral que distraísse a atenção daquilo que os próprios sauditas consideravam como algo prioritário, algo no que já estavam trabalhando – a repressão da revolta árabe, na medida em que ela está afetando a Arábia Saudita em primeiro lugar, em segundo, aos países do Golfo e, por último, o mundo árabe em seu conjunto.
          Do mesmo modo que em 1968, este tipo de rebelião contra a autoridade cria estranhas divisões nos países afetados e cria alianças inesperadas. Particularmente os chamamentos em favor das intervenções humanitárias provocam divisões. O problema que tenho com as intervenções humanitárias é que nunca estou seguro que sejam de fato humanitárias.
          Os defensores sempre assinalam os casos onde ela não ocorreu, como Ruanda. Mas nunca levam em conta as ocasiões quando ocorreram. Sim, no curto prazo, pode-se evitar o que de outro modo seria um massacre. Mas no longo prazo é realmente efetiva? Para evitar matanças iminentes de Saddam Hussein, os Estados Unidos invadiram o Iraque. Massacrou-se menos gene nos dez anos transcorridos desde a ocupação? Parece que não.
          Os defensores da intervenção humanitária parecem ter um critério quantitativo. Se um governo mata dez manifestantes, isso é “normal” ou, em todo caso, só algo digno de uma declaração de condenação. Se 10 mil pessoas são mortas, isso já é um crime e requer uma intervenção humanitária. Quantas pessoas precisam morrer antes que o normal se converta em criminal? 100, 1000?
          Agora, as potências ocidentais estão se lançando em uma guerra na Líbia cujo resultado é incerto. É provável que se converta em um atoleiro. A intervenção teve êxito em distrair o mundo da revolta árabe em curso? Talvez. Não sabemos ainda. Ela terá êxito em derrotar Kadafi. Talvez. Não sabemos ainda. Se Kadafi se for, o que acontecerá depois? Inclusive os porta-vozes estadunidenses estão preocupados com a possibilidade de que seja substituído por um de seus velhos camaradas de armas, pela Al Qaeda, ou por ambos.
          A ação militar dos Estados Unidos na Líbia é um erro, inclusive desde o estreito ponto de vista dos EUA, e também do ponto de vista humanitário. Não terminará logo. O presidente Obama explicou suas ações de uma maneira complicada e sutil. O que disse, em essência, é que se o presidente dos EUA, após uma avaliação minuciosa da situação, considera que a intervenção serve aos interesses dos Estados Unidos e do mundo, ela pode e deve ser realizada. Não duvido que tenha sido uma decisão dura para ele. Mas isso não é suficiente. É uma decisão terrível, odiosa e, em última instância, contraproducente.
          Enquanto isso,  a melhor esperança para todos é que a segunda onda de revoltas no mundo árabe recupere força – talvez uma possibilidade muito remota agora – e avance, em primeiro lugar, na direção dos sauditas" – escreveu Immanuel Wallerstein
          Terminando aqui as minhas elucubrações, sobre a raça humana, seus territórios, conquistas, massacres e  genocídios, vale salientar que  a evoluções tecnológicas que trouxeram tantos avanços para a medicina, robótica, expansão nuclear, espacial, educação, arte, cinema, passando por toda a experiência humana, iniciou-se hipoteticamente com a descoberta da roda.
          A imprensa em geral tem um papel preponderante nos rumos da história, veiculando cada passo dado, cada descoberta, cada invenção, denunciando, investigando, cobrindo todos os eventos internacionais de guerra ou de paz com coragem, inteligência e sabedoria.
          Cabe a nós leitores termos a capacidade de diferenciar naquilo que é veiculado, qual o viés e qual é o grau de comprometimento com a verdade ou com a indução tendenciosa de  alguns profissionais  de determinadas empresas que se julgam donos da verdade, acima do bem e do mal, dominados pela imprensa internacional, ou mascarados por ONGs de natureza humanitária, como assim o fez o Rei Leopoldo II da Bélgica que criou em 1884 a Associação Internacional do Congo e a Associação Internacional Africana, entidades com objetivos humanitários e benevolentes que obtiveram a anuência e a simpatia dos EUA, mas que na prática matou mais de 10 milhões de Congoleses ( metade da população local), durante 10 anos, fazendo fortuna com o Látex, marfim (resultante do sacrifício de milhares de elefante ) madeira e pedras preciosas através da escravidão, exploração desumana e impiedosa de seus capatazes, sem que o Rei tivesse posto o pé naquele território e sem que um centavo  do que foi explorado ficasse naquele território.
          A intenção de qualquer país em ajuda humanitária, ou em nome da democracia ou dos direitos humanos, não passa pela invasão, propagação de ódio, e matança de civis inocentes, como é o modus operand dos EUA ao longo da sua existência.
            Finalmente, que possamos avaliar cada questão publicada pela imprensa nacional e mundial, falada e escrita, sob  uma ótica crítica, realista e objetiva, e que a cupidez capitalista e neoliberal através de suas armas ultra poderosas, tendenciosas e maquiavélicas não seja vencedora também na mente do sábio leitor ou telespectador. 

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