
Com uma plateia favorável de parlamentares, Orlando Silva volta a se defender, desta vez no Senado. Apenas dois políticos da oposição questionaram o envolvimento dele em denúncias de corrupção
No quinto dia da maratona de explicações que o ministro do Esporte realiza para livrar o nome das denúncias de corrupção envolvendo a pasta que comanda, Orlando Silva contou com a recepção amistosa dos parlamentares do governo e da oposição para transformar a audiência pública do Senado em um ato de desagravo.
Senadores do DEM decidiram não participar da lista dos inscritos para questionar o ministro, e, pelo PSDB, apenas Álvaro Dias (PR) e Mário Couto (PA) direcionaram perguntas a Orlando durante a audiência. "Se há a acusação, o ministro tem que sair? O que se pretende é tirar um ministro de Estado no grito", reclamou Orlando Silva.
De acordo com o titular do Esporte, desde sábado, quando a revista Veja publicou entrevista com o policial João Dias Ferreira, sua rotina de trabalho foi prejudicada, porque ele teve que convocar coletivas e participar de audiências no Congresso para negar ter recebido propina na garagem do ministério. "Tenho uma agenda de trabalho intensa, já consumi algum tempo para explicar as farsas. Cinco dias se passaram e provas não foram apresentadas. Sinto hoje viver um linchamento público, sem provas."
O ministro do Esporte também tachou de campanha difamatória informações publicadas sobre a compra de um terreno em Campinas (SP), avaliado em R$ 370 mil, que foi pago à vista por ele. Orlando afirmou que o imóvel é o seu primeiro e "único" bem e que os recursos para pagar o cheque registrado no contrato de compra e venda vieram de uma conta poupança montada com ajuda da família. "Trata-se do único bem que possuo. É uma casa de 110m². Vai ser a primeira casa que vou ter na vida. O cheque que gastei veio de toda a poupança que juntei na vida e com ajuda familiar", alegou.
Orlando Silva afirmou que pretende apresentar queixa-crime contra João Dias por calúnia e rejeitou a hipótese de o policial ter registros de imagem ou som que comprovem encontros irregulares do ministro com representantes de entidades que recebem dinheiro da pasta. "Desafio o registro da minha voz, desafio o registro da minha imagem." O ministro disse que não pretende processar a revista que publicou a entrevista do policial, mas defendeu a prisão de seus acusadores. "Não vou descansar enquanto não prenderem os delinquentes que me acusam de maneira vil."
O ministro chamou de "manobra política" a citação da gestão do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, na denúncia envolvendo a ONG do policial e defendeu o líder petista por duas vezes durante a audiência. Orlando afirmou que, apesar de ter dito que se reuniu com João Dias por indicação de Agnelo, "assim como" ele, o encontro não significa que os gestores e o acusador tinham vínculos. "É manobra política a vinculação desse suspeito com o governador do Distrito Federal, que para mim é uma pessoa ilibada."
Fonte : Correio Braziliense

05:46
Jeferson da silva figueiredo
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